Principais práticas

SHABAT

O Shabat se apoia no tripé Kedushá – Menuchá - Oneg (santificação – descanso - alegria). Deve ser vivenciado indo-se à sinagoga para os serviços de Kabalat Shabat, sexta-feira à noite e Shacharit Shabat, sábado de manhã, e para as orações vespertinas que culminam com a cerimônia da Havdalá, marcando a separação entre Shabat e o restante da semana, um momento de profunda espiritualidade.
A santificação do dia se completa com as refeições em família e com amigos. O ideal é promover encontros harmoniosos em que são estimuladas conversas de cunho religioso ou cultural. Grupos de estudo constituem atividades apropriadas para o Shabat, assim como freqüência aos movimentos juvenis, passeios, jogos e brincadeiras contanto que não competitivas.
O Judaísmo Liberal recomenda a interrupção das atividades profissionais e escolares. Permite que pequenas tarefas sejam realizadas como fazer a cama, tirar a mesa, aquecer uma comida. Compras, faxinas domésticas e outras atividades que não sejam prazerosas, assim como estimular outros ao trabalho, não se coadunam com o Shabat.
Aceitamos a utilização de meios audiovisuais para enriquecer o brilho e a alegria do Shabat, e que, em caso de grandes distâncias, se lance mão de meios de transporte para ir à sinagoga, levar os filhos ao movimento juvenil, visitar membros da família, pessoas sós, doentes, prisioneiros, entre outras atividades que se inserem no espírito do Shabat.

CHAGUIM

O que vale para o Shabat é igualmente aceito para as festas. As principais solenidades são consideradas como feriados. Visto seu caráter não repetitivo no calendário, o Judaísmo Liberal insiste para que um esforço particular seja feito a fim de que não se trabalhe nem se vá à escola ou à universidade nos dias de festa.

Recomendamos que sejam observados os jejuns de Iom Kipur e Tisha b’Av, ambos de 24 horas de duração. Instruímos o significado de todos os jejuns e os respeitamos em todas as atividades da ARI, sejam elas sinagogais ou não.

Além dos chaguim comemorados por todas as correntes judaicas, adicionamos mais três datas contemporâneas ao nosso calendário religioso: Iom Hashoá, em 27 do mês de Nissan, que lembra a Shoá (holcausto), o genocídio do povo judeu pelo regime nazista durante a II Guerra Mundial; Iom Hazikaron, em lembrança de todos aqueles - soldados e civis – que tombaram na defesa de Israel e Iom Ha’Atsmaut, dia da Independência do Estado de Israel, respectivamente nos dias 4 e 5 do mês de Iar.

Sem cunho religioso comemoramos a Kristallnacht, a Noite dos Cristais que marca no calendário gregoriano, no dia 9 de novembro de 1938, a data do início da perseguição nazista aos judeus quando sinagogas, lojas, residências e instituições judaicas foram queimadas e destruídas.

Marcamos também o Yartzeit (aniversário de falecimento) de Ytzhak Rabin z’l, primeiro ministro de Israel, assassinado por um radical judeu.

LITURGIA

Nos preocupamos, tal como outras correntes judaicas, em promover serviços religiosos que tenham significado para os congregantes. Valorizamos o entendimento sobre as orações no lugar da repetição mecânica de textos ininteligíveis. Estimulamos a participação em vez da passividade ou da indiferença. Buscamos a coerência entre a mensagem transmitida pelo ritual com a vida moderna na qual estamos inseridos.

Para tal suprimimos alguns textos repetitivos e parte dos Salmos e poemas introdutórios, além de preces a cujo conteúdo não aderimos (por exemplo, retorno dos sacrifícios, exclusão das mulheres, dos não judeus, etc.). Ao mesmo tempo nos damos ao direito de introduzir poemas modernos cujo significado enriqueçam a mensagem transmitida pelos textos mais antigos.

Entendemos que a dinâmica evolutiva do Judaísmo obriga a adaptação da liturgia. Este entendimento faz da ARI uma sinagoga efetivamente comprometida com o mais tradicional valor do Judaísmo – a adequação dos costumes ao tempo e ao momento sem perda de seus valores fundamentais.

A ARI é uma sinagoga igualitária. Reconhecemos que homens e mulheres compartilham dos mesmos direitos e obrigações. Em nosso minian - número mínimo de 10 pessoas para a realização de determinadas cerimônias e orações - incluímos homens e mulheres judeus. As moças celebram o Bat Mitsvá tal qual os rapazes o Bar Mitsvá. As mulheres participam na condução dos serviços. Homens e mulheres rezam lado a lado e são, ambos, chamados à leitura da Torá.

Para aumentar a compreensão dos serviços religiosos utilizamos sidurim (livros de oração) bilingües e, em alguns casos, com transliteração. Alternamos a leitura semanal da Haftará (livro dos Profetas) em português e em hebraico, com o objetivo de incentivar maior participação dos congregantes.

Buscamos a supressão da distinção entre os ritos asquenazi e sefaradi, considerando que o momento histórico desta divisão foi ultrapassado. Preces dos dois ritos são mescladas nos serviços e o hebraico é pronunciado como em Israel.

Usamos música instrumental e coros mistos (homens e mulheres). Utilizamos microfones para enriquecer a compreensão e a beleza dos serviços.

TALIT, TEFILIN, MEZUZÁ e KIPÁ

As prescrições do talit, dos tefilin e da mezuzá decorrem do texto do Shemá Israel, ou seja, da Torá. Aos homens é indicado o uso do talit e as mulheres são encorajadas a fazê-lo. Os tefilin são usados a partir do Bar/Bat Mitsvá com a recomendação de se engajar a usá-los regularmente. Recomendamos que mezuzot sejam colocadas nas portas de entrada da casa e nas demais dependências, conforme recomenda a tradição. O uso da kipá é obrigatório para os homens e opcional para as mulheres durante o estudo religioso, as rezas e por ocasião dos serviços religiosos na sinagoga.

KASHRUT

A ARI mantém três cozinhas kasher. Uma para Pessach e duas para os demais dias do ano. A cozinha de Pessach processa somente carne e as dos demais dias apenas leite. A supervisão da kashrut em nossa sinagoga é feita pelos rabinos da ARI e pessoas por eles instruídas e indicadas.

Admitimos que os congregantes tragam alimentos preparados em suas casas, desde que só sejam utilizados os ingredientes permitidos e que não sejam feitas as misturas proibidas. Em Pessach não costumamos aceitar alimentos processados fora de nossa cozinha.

Associação Religiosa Israelita do Rio de Janeiro
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