Tishá Beav

Quarta-feira, 29 de julho, às 19h
Erev Tishá Beav com leitura de Eichá (Lamentações)

Colaboração: Alberto Léo Jerusalmi e Beni Wajnberg
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História
Nove de Av é o dia mais triste do calendário judaico. É o dia de luto pela destruição do Primeiro e do Segundo Templos. “Queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém; todos os preciosos objetos. Os que escaparam da espada, a esses levou ele para a Babilônia.” (II Crônicas 36:19-20)
Ainda nesse dia, os judeus foram expulsos da Inglaterra em 1290, da França em 1306, da Espanha em 1492 e da Áustria em 1670. Em 1914 começou a Primeira Guerra Mundial e em 1943 o Gueto de Varsóvia foi destruído.
No livro O judeu e seu Mundo, o Rabino Henrique Lemle z’l escreveu que essa data focaliza toda a dor e a amargura sofridas pelos judeus nos milênios da Galut, lembrando que Tishá Beav se mostrou como o “dia sinistro” da história judaica.
Av chegou a ser considerado um bom mês, pois era a época da colheita da uva e das primícias das frutas de verão.

Proibições
Nos primeiros nove dias de Av não se realizam festejos. Há quem adote os costumes de luto a partir de 17 de Tamuz. O período entre 17 de Tamuz e 9 de Av é chamado de “dias de angústia” ou simplesmente “as três semanas”.
Quanto mais se dá valor e significado a Jerusalém, maior pe nosso lamento em Tishá Beav, que simboliza a queda de Jerusalém e o exílio do povo judeu. A prática tradicional inclui a leitura do Livro das Lamentações. Além de Iom Kipur, Nove de Av é o único dia no calendário judaico em que há um jejum de 24 horas e ao qual se aplicam todas as proibições do Dia do Perdão.
Atualmente existem posições alternativas em Israel que defendem a tese de que o jejum pode se encerrar em Minchá, depois do meio-dia, pois em nossos dias Jerusalém é uma cidade reconstruída e cheia de vida.
Em Jerusalém as pessoas se dirigem ao Kotel, o Muro Ocidental, único remanescente do Segundo Templo, para lembrar sua destruição e nossa aflição.

Av em nossos dias
Na manhã de domingo, 17 de julho de 1994, o professor Jaime Barylko estava em sua residência, na cidade de Buenos Aires, conforme depoimento para Revista Gente. Estava estudando. Lia vários textos e, em seguida, escrevia. Fazia seu trabalho ouvindo a Missa Réquiem, de Mozart.
A música chamava sua atenção. A tristeza da melodia trazia algo vago à sua memória. Por intuição, dirigiu-se à biblioteca de sua casa na procura de um calendário judaico. Ao olhar a data, ficou impressionado: nove de Av.
Ao se perguntar qual o motivo de estar ouvindo Réquiem, a resposta veio de imediato: no inconsciente havia a necessidade de se nutrir de tristeza.
Ele de fato ficou triste. Não só pelos judeus, mas pelos homens.
Questionou-se mais uma vez: O que é o homem? É Leonardo da Vinci ou é o protagonista do horror de Hiroxima? Será o criminoso qualquer ou um maestro abnegado?
Era um meditação que o perseguia pois, para ele, o homem não é o que diz, e sim o que faz. Isto aprendeu como judeu e sempre repetiu como ser humano.
O homem faz santuários e os destrói. Ama Deus, e por esse amor destrói. O homem e seu poder de destruição, o bem e o mal.
Naquele nove de Av ele parou de escrever e tocou músicas tristes, entre elas a gravação de um cantor litúrgico que recitava uma das canções do Dia da Expiação. A canção se voltava para a época da dominação romana em Israel. Tempo para uma meditação.
No dia seguinte, segunda feira 18 de julho de 1994, ele iria mais tarde para o trabalho. Não chegaria às 10 horas como de costume, mas às 11h pois teria uma reunião.
Recebeu um telefonema. Ligou a televisão e viu o horror. O prédio da AMIA, onde trabalhava, tinha sido destruído.
Quando começa o mês de Av reduzimos nosso júbilo pois estamos num período de luto e tristeza.

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